Esta obra foi concebida como uma experiência sensorial, não apenas como imagem ou movimento.
Ela dialoga diretamente com o corpo — não o corpo idealizado, mas o corpo que sente.
O toque, mesmo quando sugerido, ativa memórias táteis profundas:
a pele que arrepia, o riso que nasce involuntário, a respiração que muda de ritmo. Há aqui uma investigação sutil sobre limites sensoriais, onde prazer e vulnerabilidade coexistem.
O riso não surge como humor racional, mas como resposta fisiológica — um reflexo primitivo, quase impossível de controlar. Isso cria um estado curioso: quem observa não apenas vê, mas imagina a sensação, projetando no próprio corpo aquilo que acontece na cena.
Visualmente, a obra trabalha com contrastes suaves:
o controle e a entrega, a expectativa e o instante, o toque e a antecipação do toque.
Auditivamente (mesmo no silêncio), o espectador “escuta” o riso, a reação, a respiração — porque o cérebro completa o que não está explicitamente presente.
Mais do que representar um fetiche ou uma situação específica, esta obra propõe uma pergunta:
O que acontece quando o corpo reage antes do pensamento?
É nesse espaço — entre o estímulo e a consciência — que a experiência sensorial se revela.


